Clareamento de Consultório associado ao clareamento caseiro: efetividade e segurança.

Por Nova DFL em sexta-feira, 31 maio 2013

Por que é Importante?

O apelo constante e crescente por uma aparência estética agradável vem colocando as técnicas de clareamento dental como um dos procedimentos mais utilizados dentro da odontologia estética. As técnicas para o clareamento dental são simples, preservam a estrutura dental, além de promoverem excelentes resultados quando bem indicadas. 1

A escolha da técnica clareadora depende do tipo de alteração cromática, da preferência profissional e do perfil do paciente. Assim, podemos clarear dentes vitais por meio do clareamento caseiro supervisionado, clareamento em consultório e da associação de ambas as técnicas.1,2

A segurança e efetividade do clareamento dental caseiro tem sido descrito por muitos autores na literatura. No entanto a resposta lenta em alguns casos, associada a ansiedade por parte dos pacientes em obter dentes mais claros nos remete a necessidade de técnicas que possibilitem efeitos mais imediatos. 3,4

O desenvolvimento de géis mais estáveis e efetivos, e barreiras gengivais fotoplimerizáveis tem facilitado o procedimento de clareamento dental em consultório que apresenta como principal vantagem o resultado imediato.

A associação das técnicas caseira e de consultório torna-se uma alternativa interessante. Inicialmente, é possível realizar uma aplicação da técnica em consultório para a motivação do paciente pois o mesmos já deixa o consultório com os dentes mais claros e continua o tratamento em casa seguindo corretamente as instruções do profissional. 5,6

 

O que é necessário?

1 – Afastador Labial

2 – Aparelho fotopolimerizador

3 – Escala de cor VITA Bleached guide 3D-MASTE (VITA, Alemanha)

4 – Pedra pomes

5 – Barreira Gengival fotopolimerizável (Nova DFL, Brasil)

6 – Gel clareador a base de peróxido de Hidrogênio 35% Total Blanc Office (Nova DFL, Brasil)

7 – Pincel

8 – Sugador de Saliva

9 – Dessensibilizante Total Blanc (fluoreto de sódio 2% e nitrato de potássio 5%) – (Nova DFL, Brasil).

10 – Placa de acetato 0,3mm ou Silicone 0,5-1,0mm

11 – Gel clareador de uso caseiro – Total Blanc PC 10% ou 16%, PH 6 ou 7,5%. (Nova DFL, Brasil)

 

Como Fazer?

Após exame clínico, anamnese e diagnóstico da alteração cromática, determina-se o prognóstico, que pela idade e grau de escurecimento, se apresenta bastante favorável.  Inicialmente realizou-se profilaxia com pedra pomes/água e seleção inicial da cor (3M2) com a escala VITA Bleached guide 3D-MASTE (VITA, Alemanha. A utilização dessa escala permite um maior controle do clareamento pois há uma uniformidade entre as distancias das cores, as quais podem ser claramente distinguidas pelo olho humano.

Foi realizado isolamento relativo, com o uso de um afastador labial, batente oclusal com um silicone por condensação e barreira de proteção gengival fotopolimerizável (Barreira gengival, Total Blanc, Nova DFL). O batente oclusal tem a função de estabilizar a oclusão do paciente e evitar que o mesmo deslize os maxilares durante o procedimento, podendo acidentalmente o gel tocar no lábio.

Um gel dessensibilizante prévio (Dessensibilizante Total Blanc, Nova DFL) foi aplicado na face vestibular e mantido por 10 minutos, e com uma taça de borracha em baixa rotação esfregado por 20 segundos. Estudos mostram que essa estratégia diminui a intensidade da sensibilidade pós operatória sem interferir na efetividade do procedimento restaurador 10,11.

Manipula-se o gel de uso em consultório seguindo as instruções do fabricantes. O gel selecionado apresenta-se na forma de duas seringas, uma de espessante e outra de peróxido com a adequada proporção sendo as mesmas conectáveis o que permite uma manipulação rápida e efetiva. Após a manipulação o gel deve ficar amarelo o que determina a efetividade do mesmo.

Uma fina camada foi aplicada  sobre os dentes. A extensão da aplicação deve seguir pelo menos a linha de sorriso visível da paciente, no caso específico do 15 ao 25.

O gel foi mantido em posição por 20 minutos. Bolhas são formadas durante o processo clareador na interface dente/gel, com o auxílio de uma micro escova o gel é homogeneizado removendo essas bolhas restabelecendo o contato do gel clareador com a superfície dental. Após 20 minutos o gel foi removido com um sugador de saliva com a ponta cortada. Uma nova seringa foi manipulada e uma nova aplicação de 20 minutos repetida na mesma sessão. Após a remoção do gel clareador um gel dessensibilizante foi aplicado por 5 minutos, e o resultado imediato avaliado de 3M2 para 2M2.

Seleciona-se o gel clareador caseiro, que pode ser  peróxido de carbamida 10% ou peróxido de hidrogênio 6%.  Optamos inicialmente por um produto de menor concentração (PC 10% ou PH 6%) e caso não ocorra nenhuma sensibilidade na primeira semana aumentaremos  a concentração (PC 16% ou PH 7,5%).

Para a confecção da moldeira pode-se utilizar placas de silicone se 0,5 a 1,0mm ou acetato 0,3mm. As de silicone são mais confortáveis mas menos estáveis que as de acetato. É importante que a margem esteja bem selada na gengiva marginal para evitar o extravasamento do gel e diluição pela saliva. Após a prova da moldeira todas as instruções de utilização são passadas ao paciente.

Após uma semana os dentes clarearam de 3M2 para 1M2. Nesse momento como o paciente não apresentava sensibilidade aumentamos a concentração do gel clareador de PC 10% para PC 16%. Após três semanas de clareamento caseiro o profissional e o paciente demonstraram satisfação com a cor final e o tratamento foi finalizado.

 

 

LEGENDAS 

Figura 1 a e b – Aspecto inicial.

Figura 2 – Seleção do cor inicial (3M2).

Figura 3 – Afastador labial, barreira gengival e batente oclusal posicionados.

Figura 4 – Aplicação do gel dessensibilizante.

Figura 5 – Gel a base de peróxido de Hidrogênio a 35%  (Total Blanc Office PH35%, Nova DFL).

Figura 6 – Aplicação do gel.

Figura 7 – Remoção das bolhas.

Figura 8 – Remoção do gel.

Figura 9 – Resultado imediato da primeira aplicação em consultório, de 3M2 para 2M2.

Figura 10 – Gel clareador selecionado. Total Blanc Home PC 10% (Nova DFL, Brasil)

Figura 11 – Prova da moldeira em boca.

Figura 12 – Aplicação do gel na moldeira.

Figura 13 – Aspecto após uma semana de 3M2 para 1M2.

Figura 14 – Aspecto após duas semanas de clareamento dental caseiro de 3M2 para 1M1.

Figuras 15 – Após três semanas 0,5M1.

Figura 16 a e b- Resultado final do sorriso.

 

Conclusão

Várias são as possibilidades técnicas para realização do clareamento dental. A velocidade do clareamento dependerá da concentração do agente clareador, bem como da etiologia da alteração de cor dos dentes. O importante para o sucesso do tratamento e a total satisfação do paciente é se fazer um correto diagnóstico da etiologia do escurecimento, conhecer as técnicas clareadoras assim como os materiais disponíveis e saber adaptar as necessidades e a rotina do paciente.1,7,8,9.

A união da efetividade imediata da técnica em consultório, com a segurança e simplicidade da técnica caseira, promove a motivação do paciente e o maior controle do procedimento por parte do profissional, alcançando assim, resultados satisfatórios com poucos efeitos adversos. 6,10

 

 REFERÊNCIAS

1. Maia, E. A. V.; Vieira, L. C. C.; Baratieri, L. N.; Andrade, C. A. A.Clareamento em Dentes vitais: Estágio Atual. Clínica 2005; 1(1): 8-19.

2. Zekonis, R.; Matis, B. A.; Cochran, M.A; Shetri, SE AL.; Eckert, G. J.; Carlson, T. J. Clinical Evaluation of In-Office and At-Home Bleaching Treatments. Operative Dentistry 2003;28(2): 114-121.

3. Haywood VB, Heymann HO. Nightguard vital bleaching. Quintessence Int 1989;20(3):173-6.

4. Haywood VB. History, safety, and effectiveness of current bleaching techniques and applications of nightguard of vital bleaching technique. Quintessence Int 1992; 23:471-88.

5. Lima, D. A.; Aguiar, F. C.;  Liporoni, P.C.; Munin, E,; Ambrosano, G. M.; Lovadino, J.R. In vitro evaluation of the effectiveness of bleaching agents activated by different ligth sources. J Prosthodont. 2009. 18 (3): 249-54.

6. Rodrigues, J. A.; Erhardt, M. C. G.; Marchi, G. M.; Pimenta, L. A. Ambrosano, G. M. B. Association effect of in-office and nightguard vital bleaching on dental enamel microhardness. Braz J Oral Sci. 2003. October/December; 2 (7): 365-369.

7. NG, B.; Lyons, k. Nightguard vital bleaching: a review and clinical study. New Zealand Dental Journal. 1998. Setemper, 94 (417):100-105.

8. Haywood, V. B.; Heymann. Nigthguard vital bleaching: how safe is it? Quintessence International. 1991. 22(7): 515-23.

9.  Crews, K. M. ; Duncan, D.; Lentz, D.; Gordy, F. M.; Tolbert, B. Effect of Bleaching agents on chemical composition of enamel. Mim Dent Assoc J. 1997. February; 53 (1).

10 – FONSECA, RB; KASUYA, AVB; Favarão, IN; BRANCO, CA; Bitencourt, EMC; Coelho, TMK. Efeito do uso prévio de dessensibilizante no resultado de clareamento dental profissional. Jornal Ilapeo 2001; 5: 90-95.

11 – Tay LY, Kose C, Loguercio AD, Reis A. Assessing the effect of a desensiti- zing agent used before in-office tooth bleaching. J Am Dent Assoc 2009;140:1245-51.

 

 

Caso Clínico publicado na Revista Dicas v.1, n.1, 2012